BLAZING WORLD

Science Fiction – Fantasy – Strange – Books – News – Space


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Dinosaurs Versus Aliens

From the minds of acclaimed filmmaker, Barry Sonnenfeld (director of the, “Men In Black” Films) and superstar graphic novel creator, Grant Morrison (Batman, The Invisibles, Action Comics, 18 Days), comes “Dinosaurs Vs. Aliens,” from Liquid Comics. The story focuses on a secret world war battle that was never recorded in our history books. When an alien invasion attacks Earth in the age of the dinosaurs, our planet’s only saviors are the savage prehistoric beasts which are much more intelligent than humanity has ever imagined.

 

 

Existem mais 4 episódios.


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The Land Unknown (1957)

 

This film is a very good entry in the late ’50s sci-fi cycle, about a group of explorers and scientists who discover a lost tropical world below sea level in Antarctica (!) Reynolds (the pilot), Mahoney (the scientist), Smith, and Harvey crash-land and encounter dinosaurs and a survivor from an earlier expedition (Brandon). Great (although obviously indoor) sets, literate script, and good acting are the pluses. The dinosaurs are pretty shaky, especially the Tyrannosaurus (a guy walking around inside a dinosaur suit).

Mahoney seems a little miscast, but Brandon steals the show as the loner…his acting actually conveys the feeling that he’s been stuck here alone for years. This is a very good B+/A- sci-fi film that should better known than it is.


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[5 Anos Blog Morrighan] Passatempo Especial Autores Portugueses II

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O blogue da Sofia Teixeira tem para oferecer um exemplar da segunda edição de Goor – A Crónica de Feaglar e outro do Soberba Tentação da Andreia Ferreira.

Aceda ao link e saiba como participar:http://www.branmorrighan.com/2014/01/5-anos-blog-morrighan-passatempo_3.html

 

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Fórum Fantástico 2013 (8ª Edição)

 

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Fórum Fantástico 2013 (8ª Edição)

De 15 a 17 de Novembro

Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras, Lisboa

15 de Novembro, Sexta-feira

15:00 – Abertura (inauguração da exposição ZoranFrames)

15:30 – Apresentação das iniciativas “Prémios Adamastor do Fantástico” e “Livros da Utopia” (com Rogério Ribeiro e Artur Coelho)

16:00 – Apresentação “Novidades em Videojogos” (colaboração com RubberChicken)

16:30 – Intervalo (abertura do Espaço RubberChicken)

17:00 – Lançamento “Videojogos em Portugal: História, Tecnologia e Arte” – Ed. FCA (com o autor Nelson Zagalo)

17:30 – Ilustração Fantástica (com David Sequeira e Marta Patalão)

18:00 – Conversas de Horror (com David SoaresAntónio MonteiroJosé Pedro Lopes e Pedro Santasmarinas)

19:00 – Exibição das curtas “M is for Mail”, de José Pedro Lopes, e “M is for Macho”, de Pedro Santasmarinas

16 de Novembro, Sábado

10:30-12:30 – Workshop de Escrita Trëma

14:15 – Lançamento “Lusitânia – 2ºVolume”

14:45 – História da FC portuguesa (painel moderado por Luís Filipe Silva)

15:15 – Lançamento “Nome de Código: Portograal”- Ed. Marcador/Presença (com o autor Luís Corredoura)

15:45 – Sessão Steampunk: Elfic Wear (com Angélica Elfic) e Clockwork Portugal (com Joana LimaSofia Romualdo e André Nobrega)

16:30 – Intervalo (com sessão de autógrafos)

17:00 – Apresentação Bang! e Bang! Brasil – Ed. Saída de Emergência (com Safaa Dib)

17:30 – Anúncio dos vencedores do concurso ZoranFrames (patrocinado por Ed. Cavalo de Ferro, Sony e Xerox)

18:00 – Apresentação “Brasil” – Ed. 1001 Mundos/ASA/Leya (com o autor Ian McDonald)

18:30 – Apresentação “Winepunk” (com AMP RodriguezJoana LimaRogério Ribeiro, entre outros)

19:00 – Sessão conjunta de autógrafos

17 de Novembro, Domingo

14:15 – Publicação de Contos Portugueses Além-Fronteiras (com João VenturaJoão Ramalho-SantosInês MontenegroJoão Rogaciano)

15:00 – Sugestões de Literatura, Filmes e Jogos (com João BarreirosArtur Coelho e João Campos)

15:30 – Audiovisual Nacional: RPG, Collider e Sangue Frio (com David RebordãoNuno BernardoVasco Rosa e Diana Lima)

16:15 – Exibição “Jogo Maldito”, de David Rebordão

16:30 – Intervalo

17:00 – Banda-Desenhada: Dog Mendonça e Pizzaboy 3 – Ed. Tinta da China (com Filipe MeloJuan Cavia e Santiago Villa), Butterfly Chronicles – Ed. Qualalbatroz (com João Mascarenhas e Marc Parchow), e Hanuram, O Dourado (com Ricardo Venâncio), moderado por João Lameiras

18:00 – Exibição da curta “Esperânsia”, de Cláudio Jordão

18:15 – Encerramento

Todos os dias: Durante o evento estará disponível uma Feira do Livro Fantástico, gerida pela livraria Dr. Kartoon, assim como uma banca da editora Saída de Emergência, um espaço de demonstração da RubberChicken e uma banca de jogos da Runadrake

Organização: Épica/Rogério Ribeiro/Safaa Dib/João Campos

Cartaz: Pedro Marques

Video Promocional: Nuno Elias

Aviso: O programa agora divulgado está sujeito a correcções e adições até ao evento, portanto aconselhamos a consulta frequente do nosso blog. Apelamos a todos que divulguem o evento e o presente programa, mas juntando sempre o nosso endereço para possíveis actualizações.


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O Medalhão Mágico – O Reino de Damantihan (Mariana Lucera)

O enredo começa com Emy indo parar junto com sua mãe na mansão de sua tia em Londres. A mesma mansão onde sua prima Lindsay desapareceu misteriosamente entre os milhares de corredores do casarão.
Desde o começo Mariana Lucera já exibe sua escrita talentosa, mesmo Emy estando em um mundo normal e tendo que ir viajar para a casa da tia que está em depressão por causa do desaparecimento da filha, não conseguimos desgrudar da história.
A escrita e a personagem nos puxam para dentro do livro, como se fossemos capazes de entrar de cabeça dentro daquelas palavras que formam o mundo de Emy. Entretanto é quando Emy descobre que o espelho da biblioteca assombrada da casa de sua tia é um portal para um reino que está sobre a tirania de uma feiticeira má que nós só conseguiremos sair do mundo mágico brilhantemente narrado por Mariana Lucera quando a última página for lida.
Embarcamos no mundo mágico narrado por Lucera de tal maneira que quando saímos nos pegamos pensando se magia realmente não existe. Podemos até pensar se Lucera não pegou emprestado o pó mágico utilizado por J.K.Rowling quando esta escreveu o mundo de “Harry Potter”.
Emy entende que sua prima Lindsay está presa no reino de Damantiham e adentra no portal da biblioteca para tentar salvar sua prima. Mas as coisas não são tão simples quanto parecem e Emy descobre que em posse da metade de um medalhão precisará embarcar em uma viagem com elfos e seres mágicos atrás de outra metade de um medalhão que dá o poder de salvar o reino da tirania da feiticeira má.
Uma aventura fantástica que irá agradar tanto os mais jovens, pela aventura que irá encontrar, quanto os mais velhos pela escrita magicamente brilhante da autora.
Personagens ricamente detalhados, mas o que chama mesmo atenção é a riqueza que contém na história sobre a feiticeira má. Uma das personagens mais bem construídas na história que deixará o leitor na dúvida entre o amor, o ódio e o medo.
Personagens bem construídos, enredo fortemente criativo e uma história fantástica nunca antes lida na literatura nacional. É exemplos como Mariana Lucera que devemos apoiar o Brasil no incentivo de literaturas nacionais.
Uma aventura por um mundo desconhecido. Elfos, dragões, feiticeiras e, junto, nós leitores que embarcamos nessa história e nos sentimos fazendo parte desse mundo mágico tão bem construído. A imaginação do leitor irá florescer como há tempos não fazia. Voltaremos a ser crianças, aventureiros e a gostar do que é mágico como só Tolkien, C. S. Lewis e J.K.Rowling souberam mexer com nossa imaginação. Guardem o que estou narrando, um dia Mariana Lucera estará entre estes nomes citados.
E por final, uma lamentação da que vos escreve. Nenhuma resenha será o bastante para dizer quão fantasticamente brilhante é o livro. Esta escrita aqui é só o mínimo do que espera aqueles que irão lê-lo.
Informações:
 
Título: O Medalhão Mágico: O Reino de Damantiham
Autor: Mariana Lucera
Lançamento: 
2013
Páginas: 360
Editora: 
Oitama Rima
Categoria: 
Fantasia/Ficção
Série: Livro 1 de 4
in Tri-Books


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Homenagem a H. P. Lovecraft

 

 

 

Howard Phillips Lovecraft nasceu às 9 da manhã do dia 20 de Agosto de 1890, na casa de sua família, no número 454 (na época, 194) da Angell Street, em Providence, Rhode Island. Sua mãe era Sarah Susan Phillips Lovecraft, cuja ancestralidade ascendia à chegada de George Phillips a Massachusetts, em 1630. Seu pai era Winfield Scott Lovecraft, vendedor ambulante da Gorham & Co., Silversmiths, de Providence. Quando Lovecraft tinha três anos, seu pai sofreu um colapso nervoso num quarto de hotel em Chicago e foi trazido de volta para o Butler Hospital, onde permaneceu por cinco anos até morrer em 19 de julho de 1898. Aparentemente, Lovecraft aprendeu que seu pai esteve paralisado e em coma durante esse período, mas as evidências sugerem que não foi isso que aconteceu. É quase certo que o pai de Lovecraft morreu de sífilis.

Com a morte do pai, a responsabilidade de criar o filho recaiu sobre a mãe, duas tias e, em especial, sobre seu avô, o proeminente industrial Whipple Van Buren Phillips. Lovecraft foi uma criança precoce: aos dois anos já recitava poesia e aos três já lia. Foi nessa época que adaptou o pseudónimo de Abdul Alhazred, que mais tarde se tornaria o autor do mítico Necronomicon. No ano seguinte, porém, seu interesse por assuntos árabes foi eclipsado pela descoberta da mitologia grega, colhida na Age of Fable de Thomas Bulfinch e em versões para crianças da Ilíada e da Odisseia. Com efeito, o mais antigo de seus escritos que se conhece, “O poema de Ulisses” (1897), é uma paráfrase da Odisseia em 88 versos com rimas internas. Mas Lovecraft, por esse tempo, já havia descoberto a ficção fantástica, e sua primeira história – “The Noble Eavesdropper” (O nobre mexeriqueiro) –, que não chegou até nós, parece remontar a 1896. Seu interesse pelo fantástico proveio de seu avô, que entretinha Lovecraft com histórias improvisadas, à maneira gótica.

Enquanto menino, Lovecraft foi um tanto solitário e sofreu de doenças freqüentes, muitas, aparentemente, de natureza psicológica. Frequentou de maneira esporádica a Slater Avenue School, mas encharcou-se de informações por meio de leituras independentes. Por volta dos oito anos, descobriu a ciência, primeiro a química, depois a astronomia. Passou a produzir jornais em hectógrafo – The Scientific Gazette (A Gazeta Científica) e The Rhode Island Journal of Astronomy (Folha de Astronomia de Rhode Island) –, para serem distribuídos entre amigos. Quando foi para a Hope Street High School (nível colegial), encontrou afinidade e encorajamento tanto nos professores quanto nos colegas e desenvolveu várias amizades bastante duradouras com rapazes da sua idade. A estreia de Lovecraft em letra impressa ocorreu 1906, quando enviou uma carta tratando de assunto astronómico ao Providence Sunday Journal. Pouco depois, começou a escrever uma coluna mensal de astronomia para o Pawtuxet Valley Gleaner, um jornalzinho rural. Mais tarde escreveu colunas para o Providence Tribune (1906-8) e o Providence Evening News (1914-1918), bem como para o Asheville (N. C.) Gazette-News (1915).

Em 1904, a morte do avô de Lovecraft e a subsequente dilapidação de seu património e negócio mergulharam a família em sérias dificuldades. Lovecraft e sua mãe se viram forçados a abandonar a glória de seu lar vitoriano para morar numa residência apertada, no número 598 da Angell Street. Lovecraft ficou arrasado com a perda do lar natal. Aparentemente, ele teria pensado em suicídio, enquanto passeava de bicicleta e contemplava as profundezas escuras do rio Barrington. Mas o gosto de aprender baniu esses pensamentos. Em 1908, porém, pouco antes de sua formatura no colégio, sofreu um colapso nervoso que o obrigou a deixar a escola sem receber o diploma. Esse fato e o consequente fracasso em tentar entrar para a Brown University sempre o envergonharam nos anos posteriores, não obstante ter sido ele um dos autodidactas mais formidáveis de seu tempo. Entre 1908 e 1913, Lovrecraft viveu praticamente como um eremita, dedicando-se quase só aos seus interesses astronómicos e a escrever poesia. Ao longo de todo esse período, Lovecraft se envolveu numa relação fechada e pouco saudável com a mãe, que ainda sofria com o trauma da doença e morte do marido e que desenvolveu uma relação patológica de amor-ódio com o filho.

Lovecraft emergiu de seu eremitério de maneira bastante peculiar. Tendo começado a ler os primeiros magazines pulp de sua época, ficou tão irritado com as insípidas histórias de amor de um certo Fred Jackson, no Argosy, que escreveu uma carta em versos, atacando Jackson. A carta foi publicada em 1913, suscitando uma tempestade de protestos por parte dos defensores de Jackson. Lovecraft se meteu num debate acalorado na coluna de cartas do Argosy e dos magazines congéneres, aparecendo as suas respostas quase sempre em dísticos heróicos e humorísticos, descendentes de Dryden e Pope. A controvérsia foi notada por Edward F. Daas, presidente da United Amateur Press Association (Associação Unida de Imprensa Amadora, UAPA), um grupo de escritores amadores de todo o país que escreviam e publicavam os seus próprios magazines. Daas convidou Lovecraft a se juntar à UAPA, e Lovecraft fez isso nos começos de 1914. Lovecraft publicou treze edições de seu próprio periódico, The Conservative (O conservador, 1915-23), e também enviou volumosas contribuições de poesia e ensaios para outros jornais. Mais tarde, tornou-se presidente e editor oficial da UAPA, actuando ainda, por breve período, como presidente da rival National Amateur Press Association (Associação Nacional de Imprensa Amadora, NAPA). Essas experiências podem ter salvado Lovecraft de uma vida de reclusão improdutiva; como ele mesmo disse certa vez: “Em 1914, quando a mão amigável do amadorismo se estendeu para mim, eu estava tão próximo do estado de vegetação quanto qualquer animal… Com o advento da [Associação] Unida, ganhei uma renovação de vida, um senso renovado da existência como sendo algo mais que um peso supérfluo, e encontrei uma esfera na qual podia sentir que meus esforços não eram totalmente fúteis. Pela primeira vez, pude imaginar que minhas investidas desajeitadas no campo da arte eram um pouco mais do que gritos débeis perdidos no mundo indiferente.”

Foi no universo amador que Lovecraft recomeçou a escrever sua ficção, abandonada em 1908. W. Paul Cook e outros, percebendo as promessas dessas primeiras histórias, tais como The beast in the cave (A besta na caverna, 1905) ou The alchemist (O alquimista, 1908), instaram Lovecraft a retomar a pena. E foi o que Lovecraft fez, escrevendo, num jorro, The tomb (A tumba) e Dagon no verão de 1917. Depois, Lovecraft manteve um constante, porém esparso, fluxo de ficção, embora até pelo menos 1922 a poesia e os ensaios ainda fossem os seus modos predominantes de expressão. Lovecraft também se envolveu numa rede sempre crescente de correspondência com amigos e associados, o que o tornou um dos maiores e mais prolíficos missivistas do século.

A mãe de Lovecraft, com sua condição mental e física deteriorada, sofreu um colapso nervoso em 1919, dando entrada no Butler Hospital, de onde, tal como seu marido, jamais sairia. Sua morte, porém, ocorrida em 24 de Maio de 1921, deveu-se a uma cirurgia mal conduzida de vesícula. Lovecraft sofreu profundamente com a perda da mãe, mas em poucas semanas se recuperou o suficiente para comparecer a uma convenção de jornalismo amador em Boston, a 4 de Julho de 1921. Foi nessa ocasião que viu pela primeira vez a mulher que se tornaria sua esposa. Sonia Haft Green era judia-russa, com sete anos a mais que Lovecraft, mas ambos parecem ter encontrado, pelo menos no início, bastante afinidade um no outro. Lovecraft visitou Sonia em seu apartamento no Brooklyn em 1922, e a notícia de seu casamento – em 3 de Março de 1924 – não foi surpresa para seus amigos, mas pode ter sido para as duas tias de Lovecraft, Lillian D. Clark e Annie E. Phillips Gramwell, que foram notificadas por carta só depois que a cerimónia ocorreu. Lovecraft se mudou para o apartamento de Sónia no Brooklyn, e as perspectivas iniciais do casal pareciam boas: Lovecraft  angariara posição como escritor profissional, por meio da aceitação de várias de suas primeiras histórias na Weird Tales, o célebre magazine fundado em 1923, e Sonia tinha uma loja de chapéus bem-sucedida na Quinta Avenida, em Nova York.

Mas os problemas chegaram para o casal quase imediatamente: a loja de chapéus faliu, Lovecraft perdeu a chance de editar um magazine associado à Weird Tales (para o que seria necessário que se mudasse para Chicago), e a saúde de Sónia se esvaiu, obrigando-a a passar uma temporada no sanatório de Nova Jersey. Lovecraft tentou garantir trabalho, mas poucos estavam dispostos a empregar um “velho” de trinta e quatro anos que não tinha experiência. Em primeiro de Janeiro de 1925, Sonia foi trabalhar em Cleveland, e Lovecraft se mudou para um apartamento de solteiro, junto a um sector decadente do Brooklyn, denominado Red Hook.

Embora tivesse muitos amigos em Nova York – Frank Belknap Long, Rheinhart Kleiner, Samuel Loveman –, Lovecraft tornou-se cada vez mais depressivo, devido ao isolamento em que vivia e às massas de “forasteiros” na cidade. Sua ficção passou do nostálgico (“The shunned house” – 1924 – se passa em Providence) para o frio e misantrópico (“The horror in Red Hook” e “He” – ambas de 1924 – expõem claramente seu sentimento por Nova York).  Finalmente, no início de 1926, fizeram-se planos para a volta de Lovecraft a Providence, da qual sentia tanta falta. Mas onde se encaixava Sonia nesses planos? Ninguém parecia saber, muito menos Lovecraft. Embora continuasse a professar sua afeição por ela, acabou concordando quando suas tias se opuseram à vinda dela a Providence, para iniciar um negócio: seu sobrinho não podia manchar-se com o estigma de uma esposa que era negociante. O casamento praticamente acabou, e o divórcio – ocorrido em 1929 – foi inevitável.

Quando Lovecraft retornou a Providence, em 17 de abril de 1926, para morar na Barnes Street, ao norte da Brown University, não foi para se sepultar, conforme fizera no período de 1908-1913. De fato, os últimos dez anos de sua vida foram o tempo de seu maior florescimento, tanto como escritor quanto como ser humano. Sua vida era relativamente pobre de ocorrências – viajou largamente por vários lugares antigos ao longo da costa leste (Quebec, Nova Inglaterra, Filadélfia, Charleston, Santo Agostinho); escreveu sua melhor ficção, isto é, desde “The call of Cthulhu” (O chamado de Cthulhu, 1926) até “At the mountains of madness” (Nas montanhas da loucura, 1931) e “The shadow out of Time” (A sombra dos tempos, 1934-1935); e continuou sua correspondência vasta e prodigiosa –, mas tinha encontrado seu nicho como escritor de ficção fantástica da Nova Inglaterra e também como homem de letras. Estimulou a carreira de muitos autores jovens (August Derleth, Donald Wandrei, Robert Bloch, Fritz Leiber); voltou-se para as questões políticas e económicas, quando a Grande Depressão o levou a apoiar Roosevelt e a se tornar um socialista moderado; e continuou absorvendo conhecimento num largo espectro de temas, de filosofia até literatura, história e arquitectura.

Nos últimos dois ou três anos de sua vida, no entanto, Lovecraft passou por alguns apertos. Em 1932, morreu a sua amada tia Mrs. Clark, e ele se mudou para o número 66 da College Street, atrás da John Hay Library, levando consigo sua outra tia, Mrs. Gamwell, em 1933. (Esta casa é agora o número 65 da Prospect Street.) Suas últimas histórias, cada vez mais longas e complexas, eram difíceis de vender, e ele foi forçado a ganhar seu sustento às custas de muita “revisão” ou trabalho como ghost-writer de histórias, poesia e obras não-ficcionais. Em 1936, o suicídio de Robert E. Howard, um de seus correspondentes mais chegados, deixou-o desorientado e triste. Por essa época, a doença que o levaria à morte – um cancro no intestino – havia progredido tanto que pouco se podia fazer para tratá-la. Lovecraft tentou resistir, às dores crescentes, através do Inverno de 1936-1937, mas finalmente teve de dar entrada no Jane Brown Memorial Hospital, em 10 de março de 1937, onde morreu cinco dias depois. Foi sepultado em 18 de Março, no jazigo da família Phillips, no Swan Point Cemetery.

É provável que, percebendo a aproximação da morte, Lovecraft tenha entrevisto o esquecimento final de sua obra: nunca teve um único livro publicado em toda a vida (a não ser, talvez, a péssima edição de The shadow over Innsmouth – A sombra sobre Innsmouth, de 1936), e suas histórias, ensaios e poemas jaziam espalhados por uma porção desconcertante de pulp magazines amadores. Mas as amizades que ele tinha forjado só por correspondência lhe valeram aqui: August Derleth e Donald Wandrei estavam determinados a preservar dignamente as histórias de Lovecraft num um livro de capa dura e criaram ao selo editorial Arkham House, destinado inicialmente à publicação de Lovecraft. Editaram The outsider and the others (O forasteiro e outras histórias), em 1939. Diversos outros volumes se seguiram pela Arkham House, até que a obra de Lovecraft passou ao papel e foi traduzida em uma dúzia de línguas. Hoje, no centenário de seu nascimento, suas histórias estão disponíveis em edições com texto corrigido, seus ensaios, poemas e cartas circulam amplamente, e muitos estudiosos  têm comprovado as profundidades e complexidades de sua obra e de seu pensamento. Falta muito a ser feito no estudo de Lovecraft, mas é correcto dizer que, graças ao mérito intrínseco de seu trabalho e à diligência de seus associados e fãs, Lovecraft conquistou um pequeno, mas inexpugnável, nicho no cânone das literaturas americana e mundial.

 

(S.T. Joshi – tradução de Renato Suttana, adaptação por Pedro Ventura )

 


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O Medalhão Mágico – O Reino de Damantiham (opinião)

Mariana Lucera – “Jornalista, nascida em 1988 em Pontal, interior do estado de São Paulo. Começou a escrever O Medalhão Mágico aos 14 anos. Leitora voraz de literatura fantástica e romances policiais, a nerd, grande fã de Star Wars e O Senhor dos Anéis, decidiu deixar os personagens alheios para criar os seus durante as aulas de Matemática, que sempre odiou, rabiscando no meio dos cadernos os primeiros capitúlos da história de Emily Dismorri. Este é o primeiro livro da série O Medalhão Mágico, que também é composta por A Cidade Perdida, O Último Gardião e A Nova Era.

O Medalhão Mágico – O Reino de Damantiham
Editora: Ársis Fantasia ( Oitava Rima )
2013
Ilustrações e capa: Débora Neves
Literatura  infanto-juvenil
360 páginas
Opinião:
     A capa, da autoria da Débora Neves, pareceu-me honesta (reflecte a temática e o estilo da obra – o que nem sempre acontece hoje em dia) e sem exageros (também vai sendo raro…). Nota positiva, sem dúvida!

Este livro, que me foi gentilmente enviado pela Mariana Lucera – que conheci através de alguns dos Goor que atravessaram o oceano, divide-se em duas partes: a primeira passada no mundo “real” e a segunda em Damantiham, o universo imaginário.

Essa primeira parte foi uma agradável surpresa com a pequena Amy, a protagonista, a recordar-me as personagens de Enid Blyton, apesar da sua condição de “aventureira solitária”.

Logo nas primeiras páginas pressenti (posso estar enganado) que a autora estava a estender a homenagem inicial ao pai, na personagem de Jordan Dismorri: “Na verdade, para a menina, o pai era seu herói”. Um ponto positivo, numa visão meramente pessoal, pois não acredito em autores que se “alimentem” apenas dos livros que leram, esquecendo a sua experiência de vida. Esta suspeita leva-me a outras que confirmarei com a Mariana…

Amy é uma menina viciada em livros e representa na perfeição muitos dos jovens leitores (e não só…) a quem a obra se destina. Essa identificação será fácil e ajudará a criar um laço emocional com a história. Eu não fui imune a essa relação…
    “…em Damantiham, deviam ser iguais ao futebol em sua terra: provocava irracionalidade em nível alto nos homens.”

“… pois Emy não gostava de fritar no sol. Na verdade ela preferia o inverno.”

Sublinhei estas (e outras) frases e senti logo uma grande empatia por Emily, alguém com quem gostaria certamente de conversar ou acompanhar numa aventura. Nem sempre o dono de um Morgan é a melhor companhia numa trincheira…

Se, por um lado, o caminho trilhado pela personagem principal nessa primeira parte é fácil de decifrar, a autora é competente em despertar de um interesse crescente no enredo. A biblioteca transforma-se na “gruta de cristal” que dá acesso ao maravilhoso – uma visão juvenil, mas saudável, que não desaparece em mim e que gosto de encontrar amiúde.
Em relação à segunda parte, esclareço já um ponto: não sou um leitor habitual de livros que incorporem magia – por opção própria são poucos os que li até hoje. As minhas bases comparativas não são muitas e tentar opinar sem gerar spoilers será difícil… Mas aqui vai:

Em termos de escrita, não me recordo de ter encontrado erros.

   Na acção principal da obra não faltam as “revelações”, os “seres fantásticos”, as “batalhas” nem os “imprevistos” prometidos na sinopse. A aventura e a fantasia correm caudalosas neste livro e prenderão apreciadores do género (e não só…).
Por vezes há interrupções (quase sempre para explicações sobre o passado) que travam o ritmo de leitura, mas talvez sejam necessárias para o público-alvo.

Apesar da simpatia por Emy, a minha personagem preferida é… Amyla. Tenho uma preferência por personagens acídicas e a obra alimenta, em certos momentos, essa empatia pela vilã, personagem que me parece ser a que alcança maior complexidade. Consegui mesmo criar uma imagem mental da feiticeira, exercício que sempre me apraz. Confesso que cheguei mesmo a “torcer” por ela.

Obviamente, o livro, classificado como literatura juvenil, vive da dicotomia Bem/Mal, mas consegue diluí-la, aqui e ali, em tons cinzentos de heróis ligados a um egoísmo politiqueiro e vilões que não são “maus só porque sim”.

No fim, as personagens sobrevivem na nossa mente e alguns mistérios ( que considero fulcrais no enredo ) permanecem em aberto, o que nos leva a querer ler “O Medalhão Mágico: A Cidade Perdida”. Venha ele, então! Sabendo o que se vai ler, ninguém se sentirá enganado!

Nota:

A leitura ser feita sem qualquer problema. Palavras como “barganharmos” ou “pipocar” não dão sequer para tropeçar na leitura – e eu não sou daqueles que vê novelas e conhece de fio a pavio as particularidades do português do Brasil. Quem for de Portugal e quiser ler, não terá qualquer dificuldade.